Pesquisa top 3

Que tal você leitor do Zap! HQ colaborar com uma pesquisa?

Pense na seguinte idéia: se você pudesse ver uma HQ nacional mensal de super-heróis no traço dos brasileiros que desenham no mercado americano, quais seriam aqueles que formam seu top 3? Quais seriam os 3 nomes que fariam você comprar uma HQ nacional de super-heróis? Responda em ordem de importância nos comentários, por favor.

Adriana Melo
Adriano Batista
Allan Patrick
Al Rio
Amilcar Pinna
Caio Oliveira
Caio Reis
Carlos Paul
Carlos Rafael
César Razek
Cliff Richards
Diego Bernard
Diógenes Neves
Eddy Barrows
Eduardo Ferigato
Eduardo Ferrara
Fábio Jansen
Fábio Laguna
Felipe Massafera
Geraldo Borges
Guilherme Balbi
Greg Tocchini
Ibraim Roberson
Ivan Reis
Jean Diaz
Júlia Bax
Klebs Júnior
Leno Carvalho
Luke Ross
Manny Clark
Marcelo Campos
Mateus Santolouco
Mike Deodato
Paulo Ruas
Paulo Siqueira
Peter Vale
Rafael Albuquerque
RB Silva
Renato Arlem
Renato Guedes
Roger Cruz
Ron Adrian
Thony Sillas
Walter Geovani
Wam Nick
Wellington Alves
Wellington Dias
Will Conrad

Zap! HQ para quem chega

Muita gente tem entrado no blog do Zap! HQ devido às aulas de roteiro e meio que “pegaram o bonde andando”. Dessa maneira, para o pessoal que nos visita faz pouco tempo, eis um texto para dizer o que o Zap! HQ é.

O Zap! HQ é um coletivo de roteiristas profissionais – Emílio Baraçal, Alexandre Dias e Carlos Eduardo Corrales – que visa criar séries para publicações nacionais e internacionais. Dessa forma, busca desenhistas, arte-finalistas, coloristas e letristas para tornar estas séries, realidade. Como profissionais, os três possuem contatos com editoras do Brasil e dos EUA, facilitando tal empreitada, pois conhecem os meios de como apresentar uma proposta a elas.

Essa iniciativa possui três linhas: Universo Zap! HQ, Zap! HQ Mangás e Zap! HQ X.

UNIVERSO ZAP! HQ

O Universo Zap! HQ é um universo fechado de personagens, onde vivem no mesmo mundo. São quatro séries: Anarquia, Cosmos, Os Bandeirantes e Arkanus. Todas elas se passam no Brasil.

Anarquia (escrito e criado por Emílio Baraçal e Carlos Eduardo Corrales): vigilante urbana, Adriana Katsumoto, descendente de japoneses, é a representação do sentimento de revolta do povo com seus governantes ao mesmo tempo em que ela “acorda” esse povo, fazendo-o se mexer para punir irregularidades do poder. Ela não investiga, combate e prende. Ela investiga, reúne as provas, divulga para o povo e instiga-o a condenar ou não o suspeito. Anarquia lida com a corrupção pública e privada e dá um tapa na cara da sociedade para que não fiquem mais alheios aos que seus “superiores” fazem com ela. Adriana teve sua vida manipulada pelo governo para fins nefastos e pretende dar o troco, além de retomar seu caminho.

Anarquia tem como ilustradora de capa a artista Cynthia França (saiba mais dela aqui). Já temos um desenhista para Anarquia que será anunciado assim que possível. Mais detalhes nessa entrevista para o site Soc! Tum! Pow!
clicando aqui.

Cosmos (escrito e criado por Emílio Baraçal): nos casos mais famosos de fertilização de mulheres por extraterrestres durante uma abdução, é de conhecimento desse meio que tais mulheres dão à luz em uma nave e levam o recém-nascido embora. Mas… e se dessa vez os alienígenas resolvessem permitir o parto na Terra e que a criança crescesse e se desenvolvesse aqui? Como seria essa criança? Esse híbrido? E mais, e se essa criança, com capacidades extraordinárias, resolvesse se revelar ao mundo, abalando a economia, as religiões e todas as outras características de nossa civilização? E se esse ser nascesse no Brasil, um dos países com o maior número de casos de ufologia no mundo? Esse é o mote por trás de um personagem que tenta levar luz ao mundo que o cerca.

Cosmos ainda não tem artistas atrelados.

Os Bandeirantes (escrito e criado por Emílio Baraçal): não é segredo que o Brasil é um dos maiores detentores de reserva energética do mundo, tendo recursos nas mais variadas formas de energia. Um exemplo é o pré-sal na Bacia de Santos. Depois que o petróleo acabar no Oriente Médio, para onde se voltará os olhos das nações mais poderosas? Não querendo descobrir, o governo brasileiro, através de desvios de dinheiro público – de maneira a colocar a culpa em opositores e testas-de-ferro – financia a criação de uma forma de defesa: Os Bandeirantes. Eles são um grupo militar secreto que foram alterados de todas as formas através das mãos de cientistas brasileiros em conjunto com um inusitado participante, o capturado ET de Varginha; que sem ter como escapar, acaba ajudando a construir o plano através de seu conhecimento tecnológico. Agora o Brasil tem alguma chance contra as ações de espionagem de outros países.

Os Bandeirantes ainda não tem artistas atrelados.

Arkanus (escrito e criado por Emílio Baraçal e Alexandre Dias): o Brasil é o país que tem o maior número de casos de sincretismo no mundo. Contando com povos do mundo inteiro que se misturaram das mais variadas formas, é natural que o mesmo acontecesse com religiões e outras teologias, desde as mais tradicionais até as consideradas por muitos como pagãs. Arkanus é um posto. Ele é o responsável por manter o mundo protegido de criaturas e seres mitológicos e fantásticos que infestam tais dogmas, sendo o protetor da magia. Um mineiro acaba de descobrir que é o novo Arkanus e precisa de qualquer maneira lidar com essa responsabilidade.

Arkanus tem artistas em negociação e espera-se que um anúncio seja feito o mais breve possível.

Uma vigilante urbana. Um ser cósmico. Um grupo de defensores. Um protetor místico. Com esses personagens, o Universo Zap! HQ pode contar quaisquer tipos de histórias, passando por suspenses e tramas detetivescas até a ficção científica ou terror. O melhor de tudo é que embora seja no mesmo universo, o leitor não precisará acompanhar todas – ou mesmo só uma – as séries para entender tudo que se passa. Claro que será melhor – e mais divertido! – conforme for maior o número de séries que o leitor acompanhar.

ZAP! HQ MANGÁS

Como nos mangás, toda série tem um começo, meio e fim. Esta iniciativa visa criar séries que não tenham interligação alguma entre si, sendo completamente independentes. Mais uma vez, o time de roteiristas do Zap! HQ envolve-se na criação de histórias ao estilo mangá que demandam a participação de artistas desse estilo artístico.

A primeira – e única, por enquanto – série do selo Zap! HQ Mangás chama-se Cikatro. Criada por Emílio Baraçal e Victor Negreiro (conheça mais sobre o rapaz clicando aqui), mostra a vida de Eric Montenegro, um ex-assassino profissional que durante muito tempo foi o melhor em sua área. Por diversas razões, busca redimir-se de seu passado e a grande chance aparece quando um misterioso bem-feitor diz – e prova – que pode fornecer a ele os meios de conseguir o que quer. Porém, antes, um serviço precisa ser feito. Eric precisa proteger a todo custo a mulher que dará a luz ao Anticristo, de acordo com profecias milenares. Aceitando o trabalho, Eric combaterá organizações que possuem planos obscuros para a criança. Primeiro, Os Templários. Essa ordem de cavaleiros religiosos jamais foi extinta, tornando-se secreta há séculos. Após as Cruzadas, seu objetivo mudou, tendo tudo a ver com a preparação para o Apocalipse. A Nova Ordem Mundial é uma organização sinistra que possui o controle do mundo e a vinda do Anticristo faz com que ela tenha que lidar com um possível opositor… ou aliado. O Horóscopo Chinês é um coletivo de assassinos profissionais que está atrás de Eric por motivos desconhecidos. A Cabala é a entidade mística que organiza os conhecimentos mágicos secretos de posso do Homem e está em guerra civil. Um lado crê que o Anticristo não deve existir. O outro lado crê que poderá educá-lo para o bem, fazendo com que seus conhecimentos e poderes sirvam a boas causas. Por fim, o Reino do Inferno quer e precisa que o Anticristo torne-se uma realidade. Como Eric combaterá todos eles? Isso é que Cikatro responderá.

Outras séries ao estilo mangá serão futuramente desenvolvidas.

ZAP! HQ X

O Zap! HQ X é o selo onde qualquer história pode ser contada, em qualquer formato, de forma independente, ou seja, uma não tem ligação com a outra; sendo mais voltada para edições únicas, graphic novels ou minisséries.

O selo ainda não possui nenhuma série em desenvolvimento.

O PROCEDIMENTO

O Zap! HQ, devido a ser formado por roteiristas profissionais, sabe como funciona o relacionamento entre criadores e editoras. Através de todo o processo desse relacionamento, com a criação de pitch – documento de apresentação de projeto – para cada uma das séries visando os processos de negociação que cada editora possui, tem como transformar tudo isso em realidade. Mas depende apenas de você, artista. Artistas tem aos montes. Roteiristas são difíceis de achar. Estamos aqui. Apareçam. Entrem em contato conosco.

O Zap! HQ é também um celeiro de artistas. Conosco, os artistas poderão, através de nossas criações, refinar sua arte, treinar seus dons e conhecimentos, lapidar suas capacidades. Tudo ao mesmo tempo em que são publicados. É um ótimo meio de testar estilos e soluções para sua arte de modo a estar mais capacitado quando entrar em contato com editoras estrangeiras. Temos contato com um agente de talentos que conta com escritório no Brasil. Após melhorar seu trabalho ao participar do Zap! HQ, que tal ser apresentado – e quem sabe, agenciado – a ele? Essa é a idéia: dar a chance ao artista novato de ser um artista melhor através de nossas séries e, estando pronto, catapultá-lo para o mercado americano através do trabalho dessa agência. Mais detalhes em breve.

AULAS DE ROTEIRO

Em nosso blog publicamos gratuitamente um curso de roteiro online voltado não só para as histórias em quadrinhos, mas também cinema, TV, teatro e literatura. O leitor – futuro quadrinhista ou não – de nosso blog poderá copiar todo o conteúdo das aulas sem problema algum, podendo, se quiser, juntá-lo todo em um único documento, formando um livro de roteiro.

Essas aulas visam ajudar a fomentar o mercado de roteiristas. De 100% da população brasileira, apenas uma pequena porcentagem tem o hábito de leitura. Dessa porcentagem, uma outra porcentagem menor ainda se interessa em ser roteirista e/ou escritor. E dessa outra porcentagem, há uma porcentagem menor ainda que são as das pessoas que buscam se educar para isso. E dessas pessoas, apenas uma outra porcentagem consegue se estabelecer no mercado. E dessas que conseguem, apenas um grupo seleto tornam-se realmente bons. Artistas temos aos montes. Precisa-se mesmo é de roteiristas.

Ser roteirista não é fácil e, para muitos, é uma profissão cujas características são desconhecidas. As aulas de roteiro tem o intuito de ajudar no aparecimento de novos talentos, da mesma forma que tutoriais artísticos fazem pelos artistas.

O contato para qualquer assunto pode ser feito através do e-mail contato.zap.hq@gmail.com

Procedimentos de envio de seus trabalhos podem ser vistos nos seguintes links:
Aos quadrinhistas aspirantes
Apresentando sua arte

Isso é o Zap! HQ.

Aula de roteiro 28 – Formatação – Parte 1

A partir desta aula começa uma série de aulas falando de formatação. Sem ela, você não tem como aplicar tudo que expliquei até o momento. Falarei de formatação de diversas mídias, não só de quadrinhos. Porém, obviamente, tratarei primeiro da formatação de roteiros da nona arte.

Antes de partir para as peculiaridades de cada formato, há uma regra que deve ser seguida à risca: evite a todo custo, descrever ângulos de câmera.

Evite colocar “close em…” ou “personagens em plano médio de…”. Você só arranjará problemas. Sério.

Quem tem melhor noção de como uma cena ficará na página é o desenhista. Ele lerá a descrição de uma página e saberá que tamanho cada quadro terá. E a partir desse tamanho ele achará o melhor ângulo para abordar cada quadro de modo a criar uma sequência dinâmica e interessante.

Porém, às vezes, alguma indicação de ângulo é necessária para criar certo clima ou para passar certa informação de uma maneira que surpreenda o leitor. Por isso usei a palavra “evite”. Em outras palavras, você pode colocar ângulo de câmera, mas só atrapalhará o desenhista se usar esse recurso a todo momento. Lembre-se que você não é o único contador de história em uma HQ e também lembre-se que o desenhista tem que se divertir também.

Costumo enfatizar que descrição de ângulo de câmera só deve ser usado se houve necessidade roteirística para tanto.
Não existe um método universal para escrever seu roteiro. Em primeiro lugar, você tem que se sentir confortável escrevendo, seja o estilo que você usar na hora de dividir as informações para o desenhista. Se você for o desenhista, fica mais fácil, mas mesmo assim, você tem que escrever, não pode ficar relaxado.

Independente dos formatos usados pelos roteiristas, invariavelmente caem em duas categorias: roteiro aberto e roteiro fechado.

Um roteiro fechado é um roteiro de quadrinhos que tenta incluir tudo o que um artista seria necessário para visualizar cada página que você (o escritor) tem em sua cabeça. Existem muitas maneiras de criar um roteiro fechado. Ele recebe esse nome porque o roteirista tem controle total do roteiro devido a ser dividido em página, em quadros, as falas estarem inclusas, etc. Fica mais difícil o roteirista se perder, criar sem querer algum furo de roteiro, permite estruturar melhor o que está escrevendo, entre outras coisas. O único trabalho que o desenhista tem é… bem, desenhar.

A desvantagem desse formato é que pode ocorrer um choque entre as características de uma página e a capacidade artística do desenhista. Pode ser que uma página tenha quadros demais e, dependendo do que eles contém, fica impossível o desenhista criar um bom storytelling. Tem desenhistas que resolveriam essa página sem maiores problemas enquanto outros teriam enormes dificuldades. Esse é só mais um motivo para você conhecer bem o desenhista com o qual trabalha. Precisa conhecer as características dele e saber até onde ele consegue ir com sua arte no momento.

Um roteiro aberto é o que antigamente era chamado de “maneira Stan Lee de roteirizar”. Como o nosso querido Excelsior tinha que escrever praticamente tudo na Marvel, ele não tinha tempo para fazer roteiros fechados. Dessa forma, ele apenas descrevia tudo o que acontecia numa página, sem (ou com pouquíssimo) diálogos ou outros detalhes e deixava a cargo do desenhista resolver. Como ele trabalhava do lado de lendas como Jack Kirby e Steve Ditko, qualquer dúvida era tirada ali mesmo.

Para o roteirista, um roteiro aberto é mais rápido de escrever, pois você não precisa se preocupar com divisões de quadros. Ao ler um roteiro aberto, parece que estamos lendo um livro, mas sem os diálogos e sem floreios literários. É descrição fria e simples. O roteiro aberto é também vantajoso quando você já trabalha há tanto tempo com um desenhista que o roteiro fechado torna-se desnecessário porque seu parceiro já sabe como você pensa. O desenhista é que, ao ler a página, decidirá como contá-la, em quantos quadros irá dividí-la e exatamente o que da descrição haverá em cada quadro. O desenhista terá um trabalho a mais de interpretação, mas ele ficará mais livre criativamente.

Depois de desenhada, o roteirista pega uma xerox da página e desenha e escreve (hoje, faz isso no photoshop) os balões e legendas. Não, ele não faz o trabalho de letreiramento. É algo bem sugerido e rápido pro letrista ter uma indicação. A desvantagem para o roteirista é que ele fica limitado ao espaço-morto (áreas que cobrindo com balões, não afetará a compreensão do desenho) para escrever seus diálogos e legendas. Ás vezes desejamos colocar mais coisa e não há espaço. Aí é uma batalha pra ver como você colocará mais informação com menos texto.

A desvantagem maior é que o roteirista tem que tomar cuidado pra não colocar informação demais em cada página. Quadros podem ficar lotados de descrição, dificultando e muito o trabalho do desenhista.

Ao escrever um roteiro fechado, o escritor contará apenas com ele, ou seja, o prazo é dele, o esquema é todo dele, ao contrário do roteiro aberto, onde depende que as páginas do desenhista sejam enviadas a ele para que possa escrever os diálogos de forma apropriada. Ele depende dele e apenas dele. O roteiro aberto é exatamente o contrário: não há quase delimitações para o desenhista. Ele é escrito quase que na forma de livro, onde o desenhista é muito mais livre para diagramar e ditar o ritmo da história. Você separa apenas página por página, de modo que todo o conteúdo descrito em uma página pode ser diagramado do modo que o desenhista quiser, com quantos quadros o desenhista quiser. Contém apenas uma ou outra fala importante, apenas para dar uma noção melhor das coisas para o desenhista.

Obviamente, existe um método – no estilo roteiro fechado – segundo o qual eu, particularmente, gosto de escrever. E é o primeiro que irei apresentar aqui. Abaixo, segue a explicação de cada tópico existente nas páginas.

Apresentação – geralmente, em ordem, as seguintes descrições:

Cabeçalho e rodapé: sempre coloco meu cabeçalho e rodapé assim:

“EMÍLIO BARAÇAL – emiliobaracal@gmail.com – 13 3345.xxxx / 13 9741.xxxx”

A razão de fazer isso é para o editor e demais profissionais (desenhista, arte-finalist, etc) não terem que ficar voltando na capa do roteiro para ter seus contatos. Não importa em que página estejam, seu nome e contatos estão em todas as páginas.

Título: (aqui vai o nome da revista e seu número, por exemplo, “Homem-Aranha nº34”)
História: (aqui vai o título da história, por exemplo, “O Caso dos Tomates Assassinos”)
Roteiro: (coloque seu nome e contatos aqui – nome, e-mail e telefones)

Ás vezes, dependendo da história, sempre há necessidade de observações ou atenção a algum detalhe específico. Então, antes de ir propriamente para as páginas, se necessário, escrevo um texto rápido – meia página, no máximo – para escrever sobre o papel do capítulo em si na estrutura do arco inteiro, intenções, clima da história, entre outras coisas.

Em seguida, coloco a descrição das páginas. Por exemplo, “PÁGINA #01”. Com tudo em maiúsculo, ajuda a separar página por página, pois coloco a separação dos quadros apenas com a primeira letra maiúscula e depois a descrição do quadro. Por exemplo:

PÁGINA #04
Quadro 1 – blá blábláblá blábláblá blá bláblá.

Quadro 2 – bláblábláblá blá blábláblá blá.

E assim por diante. Porém, em cada quadro, além da descrição, coloco falas e outros balões. Sendo assim, aí vai uma explicação básica:

Cartela, Caixa ou Legenda: esse é o espaço aonde vai a informação que o roteirista quer passar para o leitor, sendo a fala de um personagem ou não. Quer um exemplo? Veja abaixo.

LEGENDA
Enquanto isso, na Sala de Justiça…

Fala ou Diálogo: é o espaço aonde vai as falas dos personagens, onde segue o diálogo ou monólogo daqueles que aparecem na sua história. Na fala, o personagem pode estar literalmente falando ou pensando (sim, com aqueles balões clássicos de pensamento em forma de nuvens). Como diferenciar os dois. Eu – gosto desse recurso – sempre coloco, depois do nome do personagem e antes de dois pontos, o seguinte símbolo gráfico “(p)”. Sempre aviso quem vai trabalhar comigo, seja um editor ou um desenhista, o que cada aspecto do meu estilo significa. Assim, quando alguém ler, já sabe se o personagem está falando ou pensando. Quando a fala do personagem está em uma legenda, desnecessário usar o “(p)”.

Voz “em off”: sim, há momentos em que existirão balões de personagens que estão fora de determi¬nado quadro. E é isso que você deve colocar no mesmo lugar do (p) quando isso ocorrer.

Repare também que coloco o nome/indicação de personagens sempre em maiúsculas para não ter qualquer erro de quem faz o que. Resumindo, uma descrição então pode ficar assim:

PÁGINA #17
Quadro 1 – Cena de PETER na fila do banco, mas não dentro dele. O banco está tão lotado que a fila está do lado de fora. Várias pessoas de todos os tipos estão na fila, na frente e atrás dele. Peter parece preocupado.

CARTELA
Queens, NY, 15:43hs.

PETER
(p)
Meu Deus, será que essa fila não acaba nunca? Eu demoro e depois a tia May e MJ vão ficar preocupadas, pensando que estou me atracando com o supervilão da semana ou algo assim…

Quadro 2 – PETER olhando no relógio.

PETER
(p)
Só vou ficar mais uns quinze minutos, se ao menos não conseguir entrar no banco, caio fora. Paciência, outro dia pago esta maldita conta e…

Quadro 3 – Cena de PETER desviando a sua atenção. Ele não está mais olhando para o relógio e sim para a entrada do banco. Todo mundo ao redor está surpreso. Na entrada, TRÊS LADRÕES estão saindo do banco. Dois deles estão com armas em punho e carregando sacos de dinheiro. O terceiro está abrindo a traseira de um furgão.

PETER
… o quê?

LADRÃO 1
Hahahahaha!

LADRÃO 2
Rápido, sem brincadeira!

LADRÃO 3
Ei, que graça tem se não tiver diversão?

Quadro 4 – Cena de PETER olhando para o céu, com cara de quem não acredita.

PETER
(p)
Diz aí… você aí em cima gosta de mim, né?

Quadro 5 – Cena de PETER correndo para algum lugar enquanto, de fundo, vemos o furgão indo embora velozmente, ao mesmo tempo em que as pessoas estão paralisadas, atônitas com o roubo. PETER está com uma expressão de quem está procurando algo.

PETER
(p)
Beco? Cabine telefônica? Não, muito demodê. Vamos lá, Peter, ache algum lugar discreto!

PÁGINA #18
Quadro 1 – blá blábláblá blábláblá …

E assim vai.

Os diálogos vão centralizados na página. Essa formatação, oriunda do cinema, ajuda a visualizar melhor cada elemento. Quando você vê algo centralizado, nem precisa ler e já sabe que é uma fala ou legenda, por exemplo.

Boa parte dos roteirista profissionais usa algum software de edição de roteiros. Na verdade, é até obrigatório, na minha opinião. Esses programas tem recursos e facilidades que permitem ao roteirista se preocupar apenas em escrever, sem precisar ficar formatando tudo, como no Word. Esses programas já formatam automaticamente o que você está escrevendo, pois reconhecem o que você escreve.

O mais indicado e usado deles é o Final Draft. Ele é praticamente o Photoshop dos roteiros. Em aulas futuras estarei falando dele e ensinando como usá-lo, então fique esperto.

Estou disponibilizando para download um roteiro que escrevi, em dois formatos. Estão em .fdr (arquivo do Final Draft, editor profissional de roteiros) e .pdf. Assim vocês podem analisar a formatação que uso. Escolha o seu:

Versão PDF clicar aqui clique aqui.

Versão FDR clique aqui.

Agora segue um exemplo de uma página de um roteiro aberto:

PÁGINA SEIS

Cortamos para um jardim no exterior do castelo um pouco depois da última cena da página anterior. Thor e Loki (adolescentes) estão no jardim, atirando algumas flechas contra uma árvore próxima. Já há algumas flechas nela e outras na grama, inclinada por estarem um pouco afundadas lá. Loki está com o arco e Thor está pulando em volta dele dizendo algo como “Ei, me deixa tentar! É a minha vez!”. Agora tenha em mente que é um arco para adultos, o que faz com que seja grosso demais para as mãos de duas crianças, o que lhes traz uma certa dificuldade de manuseio. Por sinal, é também o arco de Odin, o que traz ainda mais dificuldades. Loki o estuda sob o olhar de um Thor muito animado. Já na mão de Thor, o jovem deus tenta puxar a corda para trás, mas é caçoado por Loki conforme este vê a dificuldade que o irmão tem de manipular a arma. Close no rosto de Thor, que é pura concentração. Um dos olhos fechados, talvez parte da língua saindo por um dos cantos da boca. Nesse momento, jogue um pouco a câmera mais para trás para termos um ângulo médio para mostrar a ação. Loki está rindo e dando um tapinha nas costas de Thor, o que faz com que ele dispare erroneamente a flecha, que vai sem direção alguma.

Fim da página.

PÁGINA SETE

Blá BláBláBlá Blá BláBlá BláBláBlá Blá…

E assim vai.

Agora o desenhista pode dividir a diagramação em quantos quadros quiser, testar o ritmo de narrativa e então desenhar a página. Com ela pronta, o roteirista a vê e elabora os diálogos conforme os espaços disponíveis e com o que tem na cabeça (ou mais provavelmente, em anotações em separado) para o tipo de história que quer contar.

Bom, como eu expliquei, existem vários métodos e este é o que mais gosto. Já Peter David, conhecidíssimo roteirista de quadrinhos, gosta de escrever em roteiro aberto.

Há outros roteiristas que preferem dividir uma página em duas, usando uma linha vertical, onde a descrição do quadro fica do lado esquerdo e as falas que ficam no respectivo quadro ficam do lado direito. Eu não gosto muito desse método, mas vai que funciona melhor pra você, não?

Busque, pesquise, vá atrás dos trabalhos de outros roteiristas. Às vezes, pode calhar de alguma forma que certo roteirista usa ser a perfeita para você. Anos atrás eu mesmo nunca tinha visto como Frank Miller, um dos meus roteiristas preferidos, escrevia. E claro, quando tive essa oportunidade fiquei extremamente surpreso quando vi que a forma de roteiro fechado que ele usa é muito semelhante à forma que uso.

Você pode também misturar a formatação do roteirista x com a do roteirista y e achar uma coisa só sua, mas que seja funcional. Existe um site chamado Comic Book Script Archive, onde você pode ver diversos roteiros de gente como Brian Michael Bendis, Chuck Dixon, Warren Ellis, entre outros. Para ir direto para a seção de roteiro, clique aqui.

Na próxima aula lidarei com aspectos mais abstratos da descrição de páginas e cenas. E gostaria de colocar aqui um agradecimento ao amigo Allan Pollar, do Nerdrops (Clique aqui, caso não conheça o site), pelo espaço disponibilizado para os roteiros serem baixados.

Aula de Roteiro 27 – Guerra das Armaduras – Parte Final

Finalmente a análise da última parte de Guerra das Armaduras.

“RENASCIMENTO”

ATO I

Começamos vendo várias telas onde são canais diferentes de TV. Em algumas há a transmissão da notícia da morte do Homem-de-Ferro em confronto com o exército. E aí vemos que são Tony e Rhodes que estão assistindo. Eles conversam sobre as consequências da Guerra das Armaduras, de modo que faz um belo resumo e ainda mostra a visão que Tony tem de tudo. A conclusão a que chega é que ele também enterrou o Homem-de-Ferro, ou seja, não será mais um super-herói porque não irá construir novas armaduras.

Essa é sua necessidade dramática neste capítulo. Ele quer desistir de ser o Homem-de-Ferro.

Cortamos para mais testes do Poder de Fogo pelo exército. Querem avaliar se houve algum dano durante a briga contra o Homem-de-Ferro. Porém, durante os testes, Edwin Cord ameaça os militares de modo que consegue ter o Poder de Fogo apenas para si. Nota-se que ele tem outros objetivos que o exército nem imaginava para o poder de fogo. Esse é o ponto de virada I do capítulo e veremos mais tarde porque.

ATO II

Voltamos para Tony. Ele está nas Indústrias Stark tentando ver como pode fazer para minimizar os estragos morais que ele e sua empresa receberam durante a missão dele como Homem-de-Ferro. Em outro lugar, uma empresa discute com seus funcionários de mais alto cargo uma proposta feita pelas Indústrias Stark para uma parceria. A reunião então é interrompida por Edwin Cord, que traz Poder de Fogo – atravessando a parede – e ameaça os empresários caso fechem a parceria com Stark. Em outro dia, um carregamento da Accutech, subsidiária das Indústrias Stark, é atacado pelo Poder de Fogo. Edwin parece determinado a fazer Stark ir até a falência.

Em outro lugar, Tony supervisiona um outro carregamento, um serviço que não chega a ser terminado porque o Poder de Fogo aparece para detonar tudo e ameaçar Tony. Vendo o que Poder de Fogo fez com seus bens e, principalmente, seus funcionários, Tony decide ir para casa. Esse ataque pessoal a Tony é o gancho I, pois é isso que forçará Tony a continuar sendo o Homem-de-Ferro mais pra frente.

Ele então começa a construção de uma nova armadura do Homem-de-Ferro com a intenção de ser a mais poderosa já criada por ele e que fosse mais do que suficiente para derrotar Poder de Fogo. Porém, ele tem a intenção de destruí-la para que sua tecnologia não vaze. O ponto central é o processo de construção da nova armadura. Tony havia desistido de ser o Homem-de-Ferro. Edwin toma o Poder de Fogo das mãos do exército e usa para prejudicar Tony, que é obrigado a construir numa nova armadura para resolver isso. Percebeu como todos os pontos vão se interligando, fazendo um depender do outro de maneira a fazer a história se mover para frente?

Em outro dia, um novo evento patrocinado pelas Indústrias Stark acontece e o Poder de Fogo aparece para causar estragos. Antes que possa fazer qualquer coisa, Tony aparece usando sua nova versão da armadura do Homem-de-Ferro, aquela que seria conhecida como “armadura clássica II”. Esse é o gancho II: o renascimento vitorioso de Tony como Homem-de-Ferro.

A briga começa e Tony rechaça facilmente qualquer recurso de Poder de Fogo. Em um dado momento do combate, Tony causa tanto dano que parte da armadura de Poder de Fogo amassa um pouco.

Esse é o ponto de virada II do capítulo. Tony encurralando Poder de Fogo a ponto de fazer com que a maior arma de seu oponente se volte contra ele, resolvendo de vez o combate.

ATO III

Quando Poder de Fogo se sente encurralado pelo Homem-de-Ferro, tenta usar o Terminax, que emperra; ou seja, será detonado, mesmo preso à armadura dele. Parece que Poder de Fogo morrerá. Entretanto, o Homem-de-Ferro consegue cancelar a ativação do Terminax a tempo, salvando todos ali, inclusive Poder de Fogo.

Depois de derrotar Poder de Fogo, Tony reflete sobre o significado da existência do Homem-de-Ferro e desiste de para de ser o herói, pois percebe que um vazamento de sua tecnologia é algo que sempre haverá chance de acontecer e isso é algo que ele precisa evitar a todo custo. Porém, no momento, tudo que ele quer é descansar.

Fim.

CONSIDERAÇÕES

TOTAL 174 PÁGINAS

APRESENTAÇÃO (1/43,5)
Tony Stark descobre que estão usando tecnologia sua de forma ilegal, revendendo para outras empresas, governos e o pior, para criminosos.

PONTO DE VIRADA I
Quando Stark acaba com os Aeropiratas. Isso faz com que Edwin Cord resolva contra-atacar.

CONFRONTO (43,5/130,5)
Tony e suas tentativas de eliminar de vez sua tecnologia, que está nas mãos de outros, mas afunda-se cada vez mais. A cada oponente que enfrenta ele acaba tendo que pagar preços muito altos, de modo que haverá consequências pesadas ainda em outras inúmeras histórias no futuro.

PONTO DE VIRADA II
É quando Abe Zimmer traz a novidade de que inventou um sistema que consegue inutilizar a tecnologia roubada em qualquer parte do mundo, deixando Stark preocupado com uma fonte apenas.

RESOLUÇÃO (130,5/174)
Stark precisa ir atrás da fonte e eliminá-la de uma vez por todas. O primeiro combate termina de forma ruim para Stark e ele parece fora da jogada, mas ao construir uma nova armadura com novos e poderosos recursos, acaba de vez com seu oponente, eliminando o último traço de tecnologia Stark que havia vazado e, enfim, merecendo seu descanso.

DETALHES

Um exercício bacana é, ao ler esse arco, encontrar os pontos centrais e ganchos I e II do arco. Se quiser usar a parte de cometários para conversar com outros leitores das aulas e teorizar, fique à vontade.

Tenha em mente que Guerra das Armaduras tem vários propósitos. Um deles, editorialmente falando, era criar um grande arco com o personagem de modo fazê-lo voltar ao topo, pois na época andava muito apagado tanto no Universo Marvel quanto na mente dos leitores. Outro propósito editorial era o de criar um arco que pudesse ter ramificações em outras histórias futuras não só do próprio Homem-de-Ferro, mas como também no Univers Marvel, tendo como exemplo, o primeiro abalo na amizade entre Tony e Steve, coisa que iria causar outras crises entre os dois até culminar no relativamente recente Guerra Civil.

Para que a Marvel tivesse um arco que cumprisse tais objetivos, o objetivo dramático teria que ser algo que Tony jamais pudesse resolver 100%, como ficamos sabendo quando Tony resolver ser o Homem-de-Ferro para sempre após a construção da nova armadura no final do capítulo 7. Esse objetivo dramático não só direcionou todo o arco como reinventou o foco do personagem no Universo Marvel e na mente dos leitores. Além disso, teria que ser algo que faria Tony ir além de limites que ele nunca tinha atingido antes.

Tendo todas essas características, você tem um clássico intantâneo dos quadrinhos!

É importante lembrar também o objetivo da análise feita pelo Zap! HQ: ver como organizar um arco de histórias – ou mesmo uma história solo – quando somos obrigados a escrever algo que tem um número de páginas quebrado, obrigando o roteirista a fazer um malabarismo organizacional quando tem que estruturá-la. E também, claro, ajudar a roteiristas iniciantes a escolher melhor o número de páginas de sua história de modo a evitar esses números quebrados.