Aula de Roteiro 17

Roteiro não-linear
Na literatura e cinema, o termo não-linear é usado para descrever uma técnica narrativa onde eventos são retratados fora da ordem cronológica. É freqüentemente utilizado para imitar a estrutura humana de lembrança, memória, mas tem sido aplicado por outras razões também, tais como ilustrar de forma inesperada e surpreendente certos Pontos de Virada.

Exemplos de bons filmes cuja estrutura são não-lineares são: “Kill Bill”, “Os Suspeitos”, “Cidadão Kane”, “Cães de Aluguel”, “Assassinos Por Natureza”, “Pulp Fiction – Tempo de Violência”, “Corra, Lola, Corra!”, “Magnolia”, “Cidade de Deus”, “Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças”, entre vários outros.

Mas como fazer um roteiro não-linear?

Geralmente eles são escritos de forma tradicional, ou seja, de forma linear; com começo, meio e fim estabelecidos em ordem. Porém, seria muito fácil se perder no meio de tantas páginas e detalhes, tanto escrevendo em uma máquina de escrever (modo antigo) quanto em um PC. Às vezes fica difícil localizar determinada cena ou diálogo a ser mexido de forma que pudesse ser realocado de forma não-linear. A solução encontrada pelos roteiristas profissionais foram os cartões.

São cartões de mais ou menos 14 x 8cm, que são usados para um resumo de uma cena. Neles, você escreve apenas um rascunho básico da cena e pode colocar em ordem, numerados, podendo visualizar como sua história se desenvolve e, eventualmente ir deslocando-os de lugar, mudando seu arranjo, criando os efeitos de não-linearidade.

Naturalmente, algumas falas e descrições no roteiro final são levemente alterados para que informações não fiquem confusas ou desencontradas tanto na técnica quanto na narrativa. Esse é um detalhe que merece especial atenção.

Muitos costumam usar os cartões em quadros de avisos, prendendo-os com percevejos e alterando-os à vontade. Visualizando quase de forma completa todos eles.

Ainda assim, vale ressaltar um aviso: se você não tem muita experiência como roteirista, deixe de lado a idéia de contar uma história não-linear até que tenha dominado todas as técnicas pertinentes. Quando roteiristas novatos tentam arriscar essa linha narrativa, é freqüente acontecer de uma excelente história ser destruída pelo ideal de insistir na não-linearidade.

Falando de forma prática, você pode usar quantos cartões quiser. Quando tiver completado os cartões do Ato I, dê uma olhada no que você tem. Releia os cartões, cena a cena, rapidamente. Faça isso várias vezes. Logo você pegará o fluxo da ação; mudará umas palavras aqui e ali para facilitar a leitura.

Acostume-se ao enredo. Conte a si mesmo a parte da apresentação.

Um exercício é pegar um dos filmes citados e escrever em cartões diferentes cada cena do Ato I, de forma resumida. Depois tente achar a ordem linear do Ato I do filme escolhido. Achando a linha do tempo original, depois você pode comparar com a linha do tempo não-linear, dando a possibilidade de conjecturar porque o roteirista tomou as decisões que tomou, ou seja, porque ele criou a ordem das cenas que criou ao invés da lineariedade.

Para alguns, roteiro não-linear é viciante. Resista à essa tentação. Só torne seu roteiro não-linear se houver um motivo substancial para isso.

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2 Responses to Aula de Roteiro 17

  1. webcomictest says:

    Muito legal!!! Valeu pelas aulas. Valeu MESMO!!!

  2. zecarlos says:

    caraca mano…..muito bom mesmo,e realmente ,eu acho o tipo de tecnica muito complicada de se lidar mesmo tendo alguma experiencia

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