Falando um pouco de roteiro

Quem disse que só de desenhos vive os bastidores de uma HQ, não é? Eu acredito piamente que divulgar desenhos, model-sheets, entre outras ilustrações não é o único meio de mostrar o que um quadrinhista ou grupo de quadrinhistas anda fazendo. Alguns esquecem o quão importante é o roteiro.

Tenho visto todas – acredito eu – reações acerca dos projetos do Zap!HQ. Críticas, elogios, observações, agradeço todos de coração. Isso ajuda a orientar melhor o trabalho para que saia algo melhor ainda.E tem um detalhe que é o que mais me chama a atenção: veracidade.

Como assim? Vamos pegar Anarquia, por exemplo. Hoje Anarquia foi divulgada no excelentíssimo Melhores do Mundo – http://www.interney.net/blogs/melhoresdomundo/ – . E o leitor cuja alcunha atende por Lamp-ão escreveu assim:

“Realmente, é difícil olhar para uma idéia dessas e não sentir um enorme grau de estranheza.

Vigilantismo, personagens fantasiados, idealismo exacerbado… É tudo tão norte americano. É complicado ver uma identidade brasileira aí.

O brasileiro é um povo muito cínico e desconfiado, diferente dos americanos que chegam a ser (muitas vezes) cegos idealistas. Então, é muito difícil olhar para uma idéia dessas e dizer que se passa no Brasil. Se “Brasil” fosse trocado por “EUA”, eu acharia mais fácil de acreditar.

Acho que é por isso que super-heróis brasileiros são tão difíceis de vingar aqui. Você olha para um cara que tem super-força e pode voar e pensa: “se eu fosse ele, eu ia avacalhar”. Faz parte do brasileiro tirar vantagem em tudo… Sem falar que os americanos tem essa identidade ideológica faz muito, muito tempo: Soldados fodões, heróis-aventureiros de pulp-fictions, super-heróis…

Nós, por outro lado, temos o futebol, o carnaval e a caipirinha. O único tipo de “herói” de fato brasileiro que eu pude ver foi o Capitão Nascimento e companhia. Você acredita no personagem e que ele possa fazer tudo aquilo. Mas veja bem, ele é um “herói” que tortura inocentes. O brasileiro só aceita uma realidade que tenha grandes defeitos.

Mas vamos ver, os desenhos são legais.”

Em primeiro lugar, não critico em nenhum momento a opinião dele, muito pelo contrário, é bem, mas bem válida. Agradeço a ele pela sincera opinião. E ele não foi o primeiro e nem será. Aliás, eu também sou assim.

“Como, cara-pálida?” – você pode perguntar.

Quando ministro minhas aulas de roteiro, costumo dar muita ênfase em um certo processo no momento de se escrever que se chama “pesquisa”. A pesquisa é, talvez, a ferramente mais valiosa de um escritor/roteirista. Cada escritor/roteirista lida com a pesquisa de uma forma.

Todos os roteiristas/escritores pesquisam muito antes de redigir a primeira linha de um roteiro. Você não pode escrever sobre algo que não conhece ou conhece muito pouco. Como vai escrever uma história calcada em física quântica se você não entende lhufas do assunto? Todo texto exige pesquisa e pesquisa significa reunir informação. A parte mais difícil de escrever é saber o que escrever. Quanto mais você sabe, mais pode mostrar. Alguns escritores de literatura e cinema chegam a pesquisar de dois a três anos antes de colocar finalmente no papel uma história que está martelando a cabeça deles. Assim sentem-se confortáveis pra escrever ao reunir um volume de informações considerável sobre um assunto que não entendem e, após a pesquisa, entendem um pouco mais. Ajuda-os a ter credibilidade em seu roteiro.

Isso nos remete a três problemas.

O primeiro é que o quadrinhista brasileiro é um ótimo artista, mas péssimo roteirista devido ao hábito de achar que roteirizar é só sentar e sair escrevendo. Não é. O quadrinhista brasileiro quer escrever sem fazer um curso de roteiro. Sem se educar, sem aprender sobre isso. Não busca aprimorar suas habilidades com as palavras.

O segundo é que sem uma “educação roteirística”, os quadrinhistas querem achar a “fórmula sagrada de como fazer quadrinhos de heróis funcionarem no Brasil”. Se não sabem o básico, como querem achar a tal fórmula? Fica difícil.

O terceiro veio de Mark Waid. Se veio dele, é porque também acontece lá nos EUA, mas aqui no Brasil é mais acentuado ainda: é a mania de só ler quadrinhos. Ele disse em uma entrevista:

“Se você quer entrar no ramo de quadrinhos e tudo o que você lê é ´Watchmen`, `Cavaleiro das Trevas` ou `Origem`, você é um idiota! Muitas idéias surgem de lugares que nada tem a ver com quadrinhos e ficar alienado, olhando apenas o mundo dos personagens de roupas colantes é uma roubada. Você acaba sendo influenciado pelas idéias de outros escritores e pode criar algo não tão original. A primeira coisa que você deve fazer pra escrever quadrinhos é, na verdade, parar de lê-los, ao menos por um tempo. Ler quadrinhos antes de escrever vai, mesmo em um nível subconsciente (ou seja, mesmo que não queira), influenciá-lo.”

Em outras palavras, ele quis dizer: leia livros, assista a filmes, procure idéias em outros lugares, como o History Channel, o Discovery Channel ou até mesmo ouvindo uma rádio AM enquanto vai para o trabalho ou vendo o Jornal Nacional enquanto descansa em casa. Tudo gera idéias e os quadrinhos são sua última fonte de pesquisa.

Até divulgar o Zap!HQ através deste blog, foi-se uma pesquisa de seis anos. Vou repetir: seis anos.

Foram pesquisas de mercado, conversas com os mais diversos profissionais da área – roteiristas, desenhistas, editores, fãs, etc – para que tentássemos chegar a um plano, a uma idéia, de como a coisa poderia funcionar. Não estamos aqui dizendo que somos os reis do pedaço ou algo assim. Não. Isso atende por vários nomes, como “arrogância”, “prepotência”, entre outros. Nós apenas estamos tentando achar uma maneira. Não estamos parados. Se vai funcionar, só tem um jeito de saber: fazendo. E também preferimos fazer do que ficar reclamando que nada nunca dá certo.

Não tem como saber se você vai atingir o alvo se o dardo continua na sua mão.

Durante as pesquisas que fiz esse tempo todo, conversei com diversos profissionais para elaborar certos conceitos-base dos personagens o universo Zap!HQ. Entre eles, conversei com um militar aposentado, um ex-major do exército, amigo de infância do meu pai. E ele me disse:

“Quando falamos em espiões brasileiros, geralmente as pessoas dão risada. Mas o melhor espião é aquele que você nunca ouviu falar. Se não ouvir falar dele, então fez o trabalho de forma competente. Tem um caso que exemplifica isso. Anos atrás, o Bush pai criou a primeira Guerro do Golfo. Os americanos tinham tanques de guerra computadorizados, com alta tecnologia. Quando foram para o deserto do Oriente Médio começaram a apresentar defeitos. O sol e o calor eram muito fortes e as placas começavam a apresentar defeitos. E esse nem era o problema maior. O problema maior era que os EUA não tinham mais tanques de engenharia mecânica. Tinham virado peças de museu. E mesmo que o tivessem, estariam ultrapassados. Como eles iam pra guerra sem tanques? Um espião nosso na região viu isso e relatou para o Ministério de Defesa. Tínhamos arquivado um projeto de tanque de guerra mecânico que já era mais avançado do que os que os americanos tinham em seus museus. Era um projeto que nunca saiu do papel porque nunca tivemos dinheiro pra montá-lo. E vendemos o projetos para os americanos. Esse é só um exemplo de como ajudamos aos poucos a diminuir a Dívida Externa. Hoje o Brasil empresta dinheiro para fora.”

O que ele quis dizer com isso? Temos a tecnologia. Temos bons cientistas. Não devemos nada pra ninguém. Não temos é dinheiro.

E o que eu digo com isso? Falta de informação. Esse é só um exemplo de história que não sai nos jornais e internet e quando sai, quase ninguém lê ou fala sobre. Entra por um ouvido e sai pelo outro. É algo que acontece com o Brasil que é totalmente fora da realidade que vemos nos portais e jornais. E se em geral o povo não sabe, às vezes pensa que não acontece.

Acontece, só não é evidente. Uma notícia quem a nova dançarina do É o Tchan ou quem foi a mais nova aluna expulsa da Uniban dá mais ibope do que ler uma matéria sobre venda de tanques para países estrangeiros.

Ainda assim, também não adianta ter informação, combater a falta de informação, se não souber o que fazer com ela. E estamos tomando muito cuidados com isso. Exemplo: uma coisa que frisaremos para nossos desenhistas é esquecer Nova York, Metrópolis, Gotham. Uma cidade brasileira tem que parecer uma cidade brasileira. Tem que ter placas de trânsito brasileiras. Pichações ao estilo dos pichadores brasileiros. Uma favela tem que ter cara de favela. Os telhados das casas tem que ser a representação daquelas usadas em materiais de construção aqui.

O processo é o seguinte: pesquisamos. Após adquirirmos as informações, as adaptamos para a realidade brasileira comum. O caso da venda do projeto de tanque de guerra aconteceu, mas não é de senso comum da população. Mas como trabalhar com uma informação como essa sem parecer ficcional demais para o povo-leitor em geral? Esse é o desafio.

No caso de Anarquia, a série nasceu da minha indignação perante o comportamente do povo brasileiro frente a tanta corrupção. A última vez que vi o brasileiro se mexer de verdade devido a isso foi no caso dos Caras Pintadas. E há quanto tempo foi isso? A corrupção continuou com Itamar Franco. Continuou com Fernando Henrique Cardoso. Na minha opinião está ainda pior na gestão Lula. E o brasileiro, faz o que? Faz carnaval. Espera o próximo feriado pra encher a cara. Brinca. Com o seu próprio dinheiro.

Adriana, a personagem principal, usa a figura de Anarquia – um símbolo, por isso o apelo visual dela, e só tem ela assim em sua série – para mexer com os brios do povo brasileiro. Ela investiga os corruptos. Os políticos. Os empresários. Descobre os podres. Joga no ventilador e deixa o povo ser o carrasco. Serão histórias pra fazer pensar: por que temos que ser tão omissos? Por que somos patriotas apenas durante a Copa do Mundo? Por que não somos patriotas com nosso dinheiro? Por que não protestamos de forma massiva, exigindo sermos respeitados pelos nossos “líderes”? Por que isso acontece? Temos como virar o jogo, como no caso do Collor? Não temos? Qualé que é? Até onde é culpa dos políticos e até onde é culpa do próprio povo?

Em um país com um índice de corrupção mais elevado do que jamais foi visto numa nação, é esse tipo de abordagem que pode funcionar. Usando coisas do dia-a-dia do brasileiro. Com um cenário que podemos identificar como sendo Brasília, São Paulo, Porto Alegre, Campinas, Maceió, Rio de Janeiro, Salvador, entre outras. Onde temos cuidado em retratar o típico brasileiro sem cair, por exemplo, no clichê do malando carioca. Por que todo carioca tem que parecer ou ser malandro?

Outro detalhe do inteligente comentário de Lamp-ão é este: “O brasileiros só aceita uma realidade que tenha grandes defeitos.” – concordo. E quem disse que nossas séries tem gente perfeita? Quem disse que trabalharemos numa realidade linda, divina e maravilhosa. Quem disse que Adriana não tem defeitos? Caolho, na metáfora de seu tapa-olho, terá alguns bem á vista. Matheus, pai de Adriana, esconde certos defeitos catastróficos a todo custo que lhe renderão muita dor de cabeça. Aproveitando, sabia que um dos meus personagens preferidos em todos os tempos é o Dr. Gregory House? E que adoro Monk? Eles são exemplos perfeitos de personagens cheios de defeitos.

Em acréscimo, um dos truques dos bons roteiristas é criar as linhas de história em cima dos defeitos dos personagens e/ou da realidade que os cercam. Falo muito isso nos cursos de roteiro. Eu digo sempre pra achar algo que seja detestável em cada personagem. Batman pode ser arrogante demais ás vezes. O mesmo é válido para o contrário. Ache algo que seja louvável em cada personagem. Até o Dr. Destino tem qualidades. Duvida? Mexa com o povo da Latvéria pra ver o que acontece com você. Ou seja, o Dr. Destino ama seu povo e protegerá até o mais tenro bebê latveriano com todas as suas forças.

Como disse antes, veracidade. Sou preocupado com isso. São seis anos mexendo aqui, ali, revendo conceitos, tudo conforme mais material de pesquisa é conseguido. Mexendo conforme informações são cruzadas. Tudo isso antes de esboçar um único visual de personagem. Pra se ter uma idéia, um dos capítulos de Cosmos, por exemplo, chegou a ter 23 versões. E o processo de reescrita – que pode ser tema de outro debate roteirístico – é outra ferramenta poderosa muito ignorada por escritores/roteiristas iniciantes.

Quero deixar claro que este texto não é uma resposta ao que o leitor Lamp-ão escreveu e nem a ninguém antes dele que comentou as mesmas idéias, mesmo porque, também concordo com isso, como salientei. No começo do texto já disse que acho que divulgar desenhos não é o único meio de divulgar coisas. Antes de mais nada, sou roteirista. Gosto quando há uma proximidade maior com o público, que antes não tinha. O Newsarama faz uma seção de perguntas com Dan Didio regularmente. Recentemente Brian Michael Bendis respondeu às perguntas de fãs no Twitter. Então creio que informações roteirísticas colaboram para acabar com a falta de informação sobre como as coisas são feitas e ajudam a aprimorar projetos.

Não apenas sentamos e escrevemos. No mínimo, somos preocupados em como fazer funcionar. Somos preocupados com veracidade.

EMÍLIO BARAÇAL

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5 Responses to Falando um pouco de roteiro

  1. Emílio, sou leitor do MDM e li seu texto. Como não consegui comentar por lá, o faço por aqui.;-)

    Como roteirista concordo em muita coisa, mas discordo do que vc NÃO mencionou: a percepção do público. Assim como o Lampião (e quase todo mundo) está formatado para ver americanos agindo como soldados (isso pq os americanos fazem questão de manter essa imagem em toda mídia que exportam), na percepção do leitor brasileiro, no geral, a venda de tanques na surdina é muito menos crível do que…porra, do que o carioca malandro.

    Neste sentido, talvez sobre vontade de fazer a coisa acontecer para a ZAP HQ! (o que é louvável e tem que ser assim mesmo) e falte esse direcionamento de percepção necessário para a aceitação dos leitores (acho que é por isso que a maior parte dos colegas do MDM estranharam ou “não engoliram” o plot).

    Enfim, nada que não dê pra mudar de um minuto para o outro se for o caso (afinal, sabemos que roteiros podem ser imprevisíveis).

    Abs.

    • zaphq says:

      Olá Sr. Saco de Papel, tudo bom?

      Então, sabe o trecho onde escrevo “…Após adquirirmos as informações, as adaptamos para a realidade brasileira comum.”? É sobre isso que falo. Sobre a percepção. Nas entrelinhas, é disso que falo. Em como mostrar esse Brasil que existe e não conhecemos inserido no Brasil que todos conhecemos.

      Esclarecido?

  2. Comentário de: Emílio Baraçal

    Lamp-ão, você me inspirou a escrever um texto no blog do Zap!HQ.

    Li o texto, Emílio. Como roteirista concordo em muita coisa, mas discordo do que vc NÃO mencionou: a percepção do público. Assim como o Lampião (e quase todo mundo) está formatado para ver americanos agindo como soldados (isso pq os americanos fazem questão de manter essa imagem em toda mídia que exportam), na percepção do leitor brasileiro, no geral, a venda de tanques na surdina é muito menos crível do que…porra, do que o carioca malandro.

    Neste sentido, talvez sobre vontade de fazer a coisa acontecer para a ZAP HQ! (o que é louvável e tem que ser assim mesmo) e falte esse direcionamento de percepção necessário para a aceitação dos leitores (acho que é por isso que a maior parte dos colegas abaixo estranharam ou “não engoliram” o plot).

    Enfim, nada que não dê pra mudar de um minuto para o outro se for o caso (afinal, sabemos que roteiros podem ser imprevisíveis).

  3. Lamp-ião says:

    Para mim, uma realidade onde existem vigilantes mascarados que usam símbolos e lutam por um bem maior é bastante idealizada. Por si só é uma realidade com grandes qualidades.

    Mas… Os brasileiros só aceita uma realidade que tenha grandes defeitos. É isso que eu quis dizer quando comparei a cultura americana e brasileira. Esse negócio de super-heróis/vigilantes caem como uma luva para uma realidade americana. Afinal, são americanos. Acreditam na liberdade, justiça, na democracia e em fazer o certo.

    Agora, isso no Brasil é realmente difícil de engolir… Brasileiros não acreditam no seu governo, não acreditam no sistema e nem no potencial do país. O que faria um brasileiro ser tão bonzinho e nobre ao ponto de lutar contra a corrupção do país arriscando o seu e não ganhando nada com isso?

  4. Luiz Antonio says:

    Concordo plenamente com você Emílio. Há um certo tempo venho pensando sobre a nosso (não existente) produção brasileira. Coloco essa experiência em dois âmbitos: aqui no Brasil parece que qualquer pessoa que faça um traço qualquer já se considera um excelente desenhista, pois, certa vez, procurando um desenhista para quadrinizar meu roteiro recebia desenhos que deixavam muito a desejar e quando conversava com os desenhista para criticar seu trabalho, falavam como se já fossem profissionais. Fica aqui, portanto, aquela sensação de que no Brasil pode-se fazer de qualquer jeito, tanto fez, tanto faz.

    O outro ponto seria essa falta de roteiristas compatentes. Parece que já possuímos desenhistas bons, mas falta-nos roteiristas, pessoas que saibam criar uma história que não seja uma simples cópia de um Dragon Ball ou Cavaleiro do Zodíaco.

    E devemos parar que esse espírito de “Maria Madalena”, se queremos ser profissionais e criar um mercado brasileiro de quadrinhos precisamos levar isso a sério e não ficar chorando pelos cantos dizendo que “ninguém nos ama, ninguém nos quer…”, se não há um mercado sólido em terra pátria significa que não conseguimos ser profissionais como os quadrinistas americanos e mangakás japoneses.

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